A desigualdade social em 8 filmes e livros

“Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” , é o que diz o artigo 3 da constituição federal, que trata da redução da desigualdade social e da pobreza.

Porém, sabemos que o tema está longe de ser reduzido ou erradicado. Por isso, precisamos refletir muito para entender e saber como podemos ajudar. 

Assim, resolvemos aliar desigualdade social e cultura. Afinal de contas, a cultura é algo que o homem faz para explicar o próprio homem.  

Então, para explicar 8 pilares fundamentais da desigualdade social, escolhemos 8 livros e filmes para você:

 Pegue a pipoca, o guaraná, suco de caju e não esquece a goiabada para a sobremesa.

Desigualdade social e a má distribuição de recursos públicos

Nosso primeiro tópico nessa mega lista sobre desigualdade social e cultura é a distribuição de recursos públicos. Ou, melhor dizendo, a má distribuição deles. Um problema estrutural da desigualdade social é o destino do dinheiro que damos para o governo. 

Pois bem, se pensarmos que até o pão que a gente come tem imposto no meio, não é possível que o dinheiro esteja sendo distribuído com igualdade e equidade pelo estado. Mas, como ainda estamos no começo do nosso texto, resolvemos passar algo mais leve e descontraído.

 

desigualdade social

 

Então, se liga na primeira dica:

É filme nacional, de comédia e fala, ao mesmo tempo, de esgoto, produção de filmes e o interior gaúcho.

Saneamento básico, o filme ( 2007)

Desigualdade social não precisa ser só tragédia para a sétima arte. Portanto, o sarcasmo e a comédia também ajudam a entender os problemas cotidianos. Por isso, vamos começar com um filme brasileiro, leve e que trata a má distribuição dos recursos públicos como poucos.

 

 

Então, em uma vila do sul do país, a falta de saneamento básico é gritante. Apesar do ambiente lindo, o cheiro é insuportável e o esgoto está por toda a parte. Então, sem ajuda do governo, os moradores descobrem que há um concurso de cinema (oferecido pelo mesmo governo) com o prêmio em dinheiro. 

Assim, para conseguir dinheiro para comprar os canos, os moradores resolvem produzir um filme. É nessa luta do dinheiro que falta para o saneamento, mas tem para a cultura que entra a crítica do filme.

Com um elenco de peso ( Fernanda Torres, Wagner Moura, Lázaro Ramos, além da direção de Jorge Fernando), o filme é leve e crítico. Além disso,  traz  para dentro do cotidiano a questão do dinheiro público junto com as dificuldades de produzir cultura no Brasil.

 

Desigualdade social e o sistema capitalista

Um dos conceitos básicos para entender a desigualdade social é compreender tudo o que envolve o sistema capitalista. Não estamos falando que o sistema é errado ou certo. Porém, não podemos deixar de constatar que a desigualdade social vem do sistema que o mundo vive.

Assim sendo, para representar essa parte da história, escolhemos o livro As Vinhas da Ira , do escritor americano, ganhador do Nobel  de 1962,  John Steinbeck. Esse livro poderia representar vários outros tópicos do nosso compilado, mas, pela sua forte relação com a crise de 1929 e as consequências da revolução industrial para o trabalhador rural, deixamos ele aqui.

 

 

O livro ganhou uma adaptação para o cinema em 1940, que ganhou duas estatuetas do Oscar. Dirigido por John Ford, o mesmo do clássico Cidadão Kane, conseguiu levar para as telas a mesma emoção do livro.

 

As Vinhas da Ira ( 1929)

A desigualdade social já nos pega de cara nas primeiras páginas da obra, quando Tom Joad está voltando da prisão em busca de sua família. Nela, ele olha como tudo está mais desigual e pobre do que quando foi preso.

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Ao encontrá-los, Tom descobre que os Meeiros estavam em extinção. Tratores e máquinas vinham substituindo os trabalhadores rurais, que não tinham como se sustentar. Apesar disso, na cidade, começam a aparecer panfletos de produtores das vinhas (a Califórnia até hoje é famosa por sua produção de vinhos), oferecendo trabalho.

 

 

A família do ex-presidiário entra no caminhão e vai em busca de oportunidades, mas não demora para perceber que os panfletos não refletem a realidade. Mostrando a escassa oferta de emprego, o oportunismo dos empresários com os trabalhadores e a luta para sobreviver, o livro é um retrato completo da desigualdade social.

Além disso, as descrições do autor quanto às paisagens do estado da Califórnia e o meio rural trazem uma poética ímpar para a obra. Ao mesmo tempo que ficamos perplexos com a desigualdade social, Steinbeck nos deixa encantados com a beleza daquele lugar.

A falta de assistência social 

O terceiro ponto relevante para entender a desigualdade social é a falta de assistência do estado. É só pensar que, se o estado fizesse tudo o que promete, esse blog, e a Gerando Falcões, nem precisariam existir.

A assistência social é uma conquista recente da sociedade. Para entender, pense que as leis trabalhistas só começaram a vigorar no Brasil a menos de 60 anos. Se voltarmos cem anos atrás, direitos, como voto, mobilidade, saúde, dentre tantos outros, não estavam nem no radar da lei.

 

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Mas, como dissemos no post sobre equidade, grande parte destes direitos começaram a entrar na cabeça do povo a partir da revolução francesa. Por isso, nada melhor que uma obra francesa para falar sobre o tema.

Os Miseráveis (1862)

No livro, a desigualdade social devido à falta de assistência aparece de forma explícita no início da narrativa. Acompanhamos a vida do presidiário Jean Valjean, que é preso por, literalmente, roubar um pedaço de pão para alimentar os seus sobrinhos.

Sua pena vai sendo prorrogada por diversas tentativas de fuga. Mas, em uma delas, ele consegue fugir. Depois de um episódio transformador que acontece entre ele e o Bispo Myriel, sua vida ganha outro tom. Assim, ele resolve que sua missão será ajudar o próximo.

 

 

Porém, para fugir do carma de ser um ex-presidiário, ele muda de nome e vira dono de uma fábrica que emprega mulheres em situação de desigualdade e sem assistência social do estado. Não bastante, a desigualdade social se escancara quando ele se envolve com uma ex-prostituta que morre, deixando de herança sua filha.

Jean Valjean vive perseguido por Javert, um inspetor de justiça que suspeita dele ser um presidiário. Com a regeneração do ex-presidiário por conta própria, as mulheres que ele ajuda e a criança que ele acolhe, enquanto vive perseguido por um inspetor de justiça e a margem da lei, o escritor francês gera uma questão: 

Quem é o verdadeiro miserável da sua obra?

Desemprego, subemprego e a desigualdade social

Quando o assunto é desigualdade social, uma das primeiras coisas que vêm na cabeça – e com razão- , é o desemprego. Porém, por ser um assunto tratado com frequência, resolvemos falar dele abordando um segundo tópico: o subemprego.

 

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Para muitos, esse é um dos grandes males da humanidade. Com as tecnologias, afrouxamento de leis trabalhistas e o próprio desemprego, vários cidadãos se veem de mãos atadas.  Pessoas que, por não ter para onde correr, se submetem a formas, muitas vezes, escravocratas de ganhar a vida.

 

Intocáveis (2011)

 

Aqui, temos racismo, imigração, subemprego e diferença de classes. Tudo em uma salada louca e poética sobre a desigualdade social e a igualdade que devemos ter. Mas, de “bônus”, ainda temos um senhor das classes mais abastadas, tetraplégico para mostrar como a deficiência, independente da classe social, se torna um mote da desigualdade social.

Driss é um imigrante negro que sempre é demitido dos subempregos que consegue na França, Porém, um belo dia, sua vida se cruza com a de Philipe, um tetraplégico rico, que precisa de auxílio para todas as tarefas do dia a dia.

 

 

Não é o emprego que Driss deseja. Entretanto, o negro passa longe de ser o ajudante dos sonhos de Philipe. Porém, já dá para imaginar que os dois vão aprendendo e criando um amor único com a convivência, provando que todos somos, lá no fundo, humanos.

 

Desigualdade social e o racismo

Em quinto lugar, escolhemos uma obra para falar sobre o racismo. Quando se trata da desigualdade social, o racismo é importante para entender como o homem se dividiu durante a sua história. Além disso, ajuda a entender e o quanto isso colaborou para a distância entre ricos e pobres.

 

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Pois, se pensarmos com calma, o racismo é um mal da humanidade e acarretou a desigualdade social impositiva. Os negros foram tirados de seus lares e colocados à força em todos os cantos do mundo para trabalhar. Assim, não tiveram a oportunidade de se estabelecer e ter oportunidades iguais aos outros. 

Faça a coisa certa (1989)

Filmado em 1989, Faça a coisa certa trata a desigualdade social e racial de uma forma única. O filme se passa no Bronx (Nova York). O conflito da trama se dá em uma pizzaria de descendentes italianos.

Nela, um morador do bairro, Buggin’ Out, interpretado por Spike Lee, percebe que nas paredes da pizzaria, dentre várias celebridades italianas, não há a foto de um negro.

 

 

O filme poderia caminhar para o clichê dos “bandidos” brancos x os “mocinhos” negros. Mas, é muito mais do que isso. O longa mostra a desigualdade social e o preconceito em várias esferas. 

Spike lee aborda o preconceito do negro com o próprio negro, do branco com o negro, do negro com o imigrante, do imigrante com o próprio imigrante. Enfim, temos uma trama de anti-heróis fantástica, com todos os aspectos do racismo representados em suas diferentes esferas.

Desigualdade social e a luta de gêneros

A luta de gêneros, assim como o racismo, é algo que foi deixando a desigualdade social ainda mais desigual. Por isso, se pensarmos que o direito ao divórcio só veio no começo do século XX e o voto no meio dele, já dá para perceber a disparidade de oportunidades entre os dois sexos.

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Além disso, temos uma luta estrutural, em uma sociedade patriarcal, onde as leis dos homens foram feitas e pensadas, basicamente, para um lado da moeda.

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Cinco Graças (2015)

Por isso, escolhemos o filme franco-turco Cinco Graças para falar sobre o gênero dentro da desigualdade social.

Em uma pequena aldeia turca, 5 irmãs começam a trama brincando com amigos em uma praia paradisíaca. Uma brincadeira boba ou ingênua para muitos. Porém, uma vizinha daquelas chatas vê a cena e conta para avó e para o tio, que são com quem as meninas vivem.

Depois disso, suas vidas mudam radicalmente. Consideradas como pervertidas segundo os preceitos islâmicos, as meninas são tiradas da escola, começam a ter casamentos arranjados e veem-se, literalmente, em uma prisão domiciliar.

 

 

Mas, a liberdade fala mais alto e vemos uma luta de cinco mulheres em corpo de meninas, contra uma sociedade patriarcal e machista. Assim, o filme retrata de maneira mágica como tudo isso é letal e digerido de maneira distinta por cada uma das meninas. 

Tudo narrado pela irmã mais nova, o que traz para a trama ainda mais ingenuidade e compaixão.

Além disso, mesmo sabendo que o islamismo é o “pai” de todo esse contexto, o filme consegue se distanciar da religião. Por isso, consegue mostrar que muitos dos padrões do machismo são estruturais, sendo seguidos de maneira robótica pela sociedade.

Desigualdade social e a luta de classes

Desigualdade social é luta de classes. Não tem como desconectar uma coisa da outra. Desde os primórdios, a guerra entre pobres e ricos é um marco da sociedade. Antes, a luta era, digamos, mais amena. Pobres aceitavam mais a pobreza. Havia tons mais místicos e as punições eram mais severas.

Foi a partir da Revolução francesa que a coisa começou a mudar de figura. Depois, com a revolução industrial, homens como Marx começaram a questionar se o espaço entre as classes era digno.

 

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Escolhemos um filme coreano, que ganhou o oscar para representar a luta de classes dentro da desigualdade social. Um longa que mistura, na mesma obra, suspense, drama familiar, terror e comédia.

Parasita (2019)

O filme do diretor coreano Bong Joon-Ho foi o vencedor do Oscar de 2020, como melhor filme estrangeiro. A trama, que aborda a ascensão social da família Ki-Taek, através de vários golpes dados no clã dos Park, mostra a luta de classes de uma maneira brutal.

Um exemplo é quando a família pobre luta contra uma enchente que acaba com a sua casa. Na mesma sequência de cortes, a matriarca rica louva a chuva, dizendo que ela era muito boa para limpar o clima poluído da Coreia do Sul.

Temos anti-heróis dos dois lados da trama. Os pobres conseguem um lugar ao sol com golpes na família rica. Essa se mostra ingênua no começo; porém, por outro lado, os ricos começam amigos dos mais pobres. Mas, quando a trama vai se alongando, o papel patrão e empregado vai ficando cada vez mais claro.

 

 

Outro exemplo que mostra a intenção do roteirista e diretor de mostrar os paralelos da sociedade é no uso das escadas como ponto fundamental da trama. Em diversos momentos, vemos os ricos subindo escadas, enquanto os pobres descem as mesmas. Um paralelo incrível com a divisão entre as classes.

Porém, para entender a mensagem do filme, é fundamental, o fato de que ambas as famílias têm a mesma quantidade de membros: mulher, marido e dois filhos (um de cada sexo). Por isso,  é interessante e reflexivo perceber como a vida pode ser diferente e desigual, com o mesmo número de pessoas.

 

Desigualdade social e a  concentração de poder

Por fim, trataremos sobre um tema que é consequência de todos os outros: a concentração de poder. A luta de classes, desemprego, luta de gênero, distribuição de renda, ou todos os pontos começam e terminam com a concentração do poder em poucas mãos.

 

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E aqui não falamos da concentração só em poucas pessoas, mas, também, em poucos países. Segundo dados do Hun-Habitat, 86% das favelas do mundo estão localizadas nos continentes mais pobres. Ou seja: temos o dinheiro alocado em poucas pessoas, de poucos lugares.

 

O Fim do Sonho Americano Noam Chomsky (2018)

Para entender a concentração de poder, temos que entender os Estados Unidos da América. E ninguém melhor do que o linguista, filósofo, sociólogo e intelectual, Noam Chomsky para falar sobre a sua terra natal. 

Neste documentário, feito a partir de 4 anos de entrevistas com o intelectual, autor de mais de 40 livros, a questão do sonho americano é colocada em cheque. Mais do que isso: Chomsky demonstra com dados e fatos o quanto o sonho americano está prestes a acabar.

 

 

Usando 9 motivos para a existência da desigualdade social, Noam Chomsky destrincha a economia, política e modelo de vida americano. Assim, ele  debate a possibilidade do fim do sonho americano. Um documentário impactante, onde entendemos a desigualdade social dentro do capitalismo. 

Assim, podemos ver com mais clareza o poço sem fundo que é a desigualdade social, além de previsões com fundamentos para o futuro. Por fim, podemos refletir como podemos ajudar a virar esse jogo. Um jogo cruel, com poucos vencedores.

 

 

Então: gostou do filme?

Tem mais alguma dica para gente?

Portanto, é só comentar, compartilhar e curtir!

Se quiser ler livros que contam a história das favelas, acesse o nosso post

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