Inovação social e o terceiro setor 

Inovação social, segundo o The Open Book of Social Innovation, é: “Novas ideias (produtos, serviços e modelos) que atingem necessidades sociais e criam novas relações sociais ou colaborações. Em outras palavras, são inovações que são boas para a sociedade e que aumentam a capacidade desta de atuar”.
Mas, antes de inovação social, tivemos a explosão do termo Inovação na economia. Processo que veio com a teoria da destruição criativa, do economista austríaco, Joseph Schumpeter.

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Joseph Schumpeter.

Inovação e a Destruição criativa

É bom dizer que o termo inovador não era novo. Porém, foi com o economista austríaco que ele ganhou dimensões econômicas. No trabalho sobre a Destruição criativa, de 1942, Schumpeter falou sobre como a destruição de ideias colaboravam para a economia girar e fazer novas ideias aparecerem.

Assim, o ponto central é que, de tempos em tempos, o mercado financeiro “se mata”, para conseguir gerar novas ideias, nas mais diversas áreas. Assim, surgem novas perspectivas criativas em todas as áreas.
Um exemplo vem da indústria da música. Os atuais streamings, como Spotify e Deezer, “mataram” o modo como a indústria da música funcionava. Por isso, os novos meios fizeram dos cds produtos exclusivos para quem ama a música.

O mercado musical “se matou” a partir de uma inovação. Ela gerou recursos incríveis e fez o mercado se renovar com um novo modelo de negócio.

 

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Inovação Social: É um termo recente ?

Inovação social não é recente, mas foi criado no meio acadêmico. Calma, vamos explicar direitinho.
Assim como o empreendedorismo social, a inovação social surgiu a partir da preocupação pelo coletivo que apareceu nos anos 60, após a primeira e a segunda guerra mundial. Neste período, surgiram instituições e ações com finalidade social, fora das igrejas e do estado.

 

Inovação social: Veio da academia?

É um termo que surgiu no campo acadêmico. Segundo o artigo Is social innovation the future of the economy?, da Paris Tech Review , a inovação social foi criada na década de 60, mas só ganhou relevância na década passada, por vários estudos acadêmicos.

O texto foi escrito por Peter Drucker, consultor administrativo e autor da área e Michael Young, fundador da Open University. Além disso, em 2008, a inovação social também foi abordada pela Stanford Social Innovation Review.

Inovação social x Empreendedorismo social

Mas, você que já leu o nosso blog deve estar pensando: “parece muito com o que vocês escreveram sobre empreendedorismo social”. Sim, parece mesmo. Porém, há uma linha tênue entre as duas definições.

O empreendedorismo social pode e deve ser algo inovador socialmente. Contudo, aqui não podemos usar a expressão “ e vice-versa”, pois inovação social não tem que ser, necessariamente, algo empreendedor.

Relaxa, vamos explicar melhor no próximo tópico, com um exemplo incrível e que veio direto das favelas.

Inovação social nas favelas

Com certeza, a favela é um dos berços da inovação social. Se pensarmos bem, elas já nasceram como um projeto inovador. Haja visto que subir um morro para construir moradias com restos do que era usado pelas camadas sociais mais ricas era algo inovador e muito perigoso.

Segundo Ezio Manzini, professor de Design na Politécnica de Milão e autor do livro Design para Inovação Social e Sustentabilidade, a definição de inovação social mais precisa é: “ as mudanças no modo como indivíduos ou comunidades agem para resolver os seus problemas ou criar oportunidades”.

Então, é aí que vamos explicar sobre o porquê a inovação não precisa ser empreendedorismo social. Resolver um problema não tem que vir de um empreendimento social.

Vamos usar a educação e a filosofia como exemplo. O estudante de história Marcelo Marques criou o canal Audino Vilão, para falar sobre o trabalho de filósofos famosos.

Porém, a inovação social que ele trouxe foi falar sobre Nietzsche, Platão e Marx, com uma linguagem típica das favelas e periferias de São Paulo. Assim, ele está inovando socialmente; porém, não é um empreendedor social.
Para saber mais sobre a vida e o canal de Marcelo Marques, clique aqui.

Inovação social para o Empreendedor social

No post sobre empreendedorismo social, falamos que neste blog a palavra inovação seria repetida várias e várias vezes. Assim, estamos cumprindo nossa promessa, mas, também, fazendo você refletir sobre ela dentro de sua organização.

Se você quer mesmo inovar socialmente, terá que seguir 3 tópicos básicos:

1-) Busque inspiração

Inovação social precisa de inspiração. Não, inspiração não é aquele conceito de sentar na cadeira do parque, ficar olhando as estrelas e esperar a ideia cair na sua cabeça como a maçã na de newton: Inspiração vem da transpiração.

 

Por isso, ande pela comunidade, converse com as pessoas, veja ao vivo o que todo mundo está passando. Nós sabemos que é difícil a notícia da periferia chegar no jornal da televisão. Então, meu caro, busque inspiração e informação dentro da sua comunidade com os seus moradores.

 

2-) Evidências

Achou o problema? Ótimo!
Agora, vamos procurar evidências sobre como, onde e por que ele está acontecendo. Pesquise sobre o tema e veja o que já foi feito. É sempre importante lembrar: inovação social não é deixar tudo o que foi feito de lado.

 

3-) Diagnóstico

Encontramos um problema e, além disso, trouxemos as evidências do quanto ele atrapalha a nossa comunidade. Assim, chegou a hora de elaborar um diagnóstico completo sobre ele.
Diagnóstico é juntar todo o material de uma maneira organizada. Com isso, você vai poder refletir sobre o problema e achar outras fontes para ter mais conhecimento. Com tudo isso, em algum momento, a maça vai cair na sua cabeça, com uma ideia inovadora, que virá de muito suor, trabalho e dedicação.

Um exemplo de Inovação Social

Na Gerando Falcões, trabalhamos muito para inovar socialmente. Além disso, queremos sempre dar um passo além do esperado. Pensamos que estamos construindo uma ponte. Uma ponte que liga a periferia ao centro; o pobre ao rico; o gay ao religioso; a criança à educação.

Nosso próximo passo será a auto-sustentabilidade. Dessa forma, queremos continuar recebendo doações de pessoas físicas e empresas. Mas, além disso, sabemos que uma hora essa fonte de pessoas de bem que querem fazer o bem pode diminuir.

Assim, resolvemos inovar socialmente, criando o nosso Bazar da Gerando Falcões. Nele, vamos receber doações de produtos e revendê-los por um preço mais baixo para o morador da favela.

 

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Em suma, com o desenvolvimento do projeto, vamos trazer mais recursos para a Gerando Falcões. Assim, vamos gerar empregos para moradores das favelas que vão trabalhar no bazar. Com isso, iremos fazer com que a economia circule, trazendo benefícios para todos.

Outro ponto de inovação dentro do nosso bazar está na sua estratégia logística. Não queremos que seja um mero bazar com roupas espalhadas e móveis colocados de qualquer jeito. Estamos passando por um processo de estruturação logística para que ele funcione como as grandes redes de varejo do Brasil e do mundo.

A inovação social aí veio dos pilares apontados no tópico anterior:

1-) Buscamos inspiração :
Primeiramente, fomos atrás do nosso calcanhar de Aquiles. Depois de muito transpirar, percebemos que teríamos de inovar quanto à captação de recursos.

2-) Evidências:
Em segundo lugar, estudamos para ver a melhor maneira de executar o projeto. Como já fazíamos bazares e com sucesso, tínhamos a evidência de que a chance dele gerar receitas sendo uma loja fixa seria muito grande.

3-) Diagnóstico:
Em terceiro lugar, colocamos tudo no papel, e percebemos que a coisa não podia ser feita de qualquer jeito. O diagnóstico foi: temos as evidências sobre o sucesso do bazar, mas a estratégia tem que ser muito bem montada, para que dê sucesso. Por isso, fomos estudar o processo logístico das grandes empresas para colocar o bazar de pé.

 

Fazer o Bem Faz Bem!

Para saber como fazer a sua doação para o bazar, clique aqui

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#tamojunto

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